Laranja Mecânica - Anthony Burgess

A questão é se uma técnica dessas pode realmente fazer um homem bom. A bondade vem de dentro. A bondade é algo que se escolhe. Quando um homem não pode escolher, ele deixa de ser um homem. - Laranja Mecânica, A. Burgess

Edição especial da editora Aleph
Sinopse:
 Publicado pela primeira vez em 1962, e imortalizado 9 anos depois pelo filme de Stanley Kubrick, Laranja Mecânica não só está entre os clássicos eternos da ficção como representa um marco na cultura pop do século 20. Meio século depois, a perturbadora história de Alex – membro de uma gangue de adolescentes que é capturado pelo Estado e submetido a uma terapia de condicionamento social – continua fascinando, e desconcertando, leitores mundo afora.
Skoob

Opinião:
Laranja Mecânica é a história de um anti-herói adolescente, Alex, que costumava sair durante a noite com sua gangue para praticar atos criminosos de violência com quem quer que seja, por prazer e diversão. A primeira parte do livro descreve essas noites e cada crueldade cometida nelas.
Porém, em um assalto "mal sucedido" o protagonista é capturado pela polícia e - depois de um período na prisão arquitetando um modo de escapar - submetido a uma espécie de tratamento, o Ludovico, com o objetivo de curá-lo dos impulsos maldosos. O procedimento consiste na injeção de alguma substância responsável por causar náuseas e mal estar, seguida da visualização de cenas de violência, que faz com que o cérebro do indivíduo associe uma coisa à outra, de forma que ele deixa de praticar tais atos. Não por escolha ou mudança de mentalidade, e sim por pura sensação de enjoo. Isso é narrado na segunda parte.
Por fim, na terceira parte, Alex é libertado e reinserido no mundo, mas seu sofrimento ainda não terminou. Ele, agora completamente indefeso, é maltratado por antigos inimigos que procuram vingança.

A obra é incrível principalmente pelo vocabulário diferenciado. Alex e sua gangue se comunicam pelo nadsat, suas gírias especiais, misturado a um vocabulário formal. Por exemplo, ele se dirige - a narração é em primeira pessoa - aos leitores com a expressão "Vosso humilde narrador". A edição de 50 anos da editora Aleph possui um glossário do nadsat, o qual você desiste de consultar após algumas páginas, porque você acaba se familiarizando e entendendo o contexto. Esse estranhamento, afinal, foi uma estratégia de A. Burgess para envolver o leitor.

Minhas impressões sobre a história foram as que eu previra: chocante e angustiante. Senti raiva durante todo o livro, raiva do Alex, de sua gangue, do governo, da polícia, etc., etc.. Mas valeu a pena, com certeza, principalmente pela construção da escrita do autor, que mencionei anteriormente. A edição de 50 anos da editora Aleph é maravilhosa, de capa dura com jacket (sobrecapa), ilustrada, ótima fonte, extras como textos do autor, algumas páginas do original, glossário, etc..
Enfim, esse é um daqueles livros - pelo que vi nas resenhas do Skoob - que divide opiniões, e eu fico num meio termo. Não amei, gostei da criatividade, do vocabulário, da crítica, mas a história em si não me impressionou.

Nota: 7,5

Ficha técnica:

Título: Laranja Mecânica

Título original: A clockwork orange

Autor: Anthony Burgess

Editora: Aleph
 
Nº de págs. (da edição normal): 224

Adaptação cinematográfica: Laranja Mecânica (1972), dirigido por Stanley Kubrick, com Malcolm McDowell (Alex).



Vocês já leram? Quais suas opiniões?

O que eu li em fevereiro

We <3 It
Olááá!

Só para constar, março chegou e não escrevi nenhuma resenha mês passado. Eu tentei, mas não consegui terminar. Onde clica para organizar a vida de estudante com a de blogueira?
Para fazer um resumão das minhas leituras do último mês, escrevi sobre elas na coluna para o E aí, já leu?.


Laranja Mecânica, o clássico de Anthony Burgess, veio para abrir o apetite para todo um mês de leituras, e acabou sendo também o prato principal. De doce ou apetitoso, ele não tem nada, mas é rico em vitaminas, digo, criatividade. Chega de metáforas! “Afinal, Bia, sobre o que se trata o livro?” É o seguinte: Alex é um adolescente que sai durante a noite, com seus amigos, para basicamente maltratar inocentes por puro prazer. Ele acaba sendo capturado pela polícia e submetido a um “tratamento” que supostamente tiraria dele seus impulsos maldosos, mas acaba tirando também seu poder de escolha. Essa “distopia atual” é genial, ao mesmo tempo em que é uma leitura angustiante do começo ao fim, com as descrições de cada ato de crueldade cometido por Alex e sua gangue. É toda uma crítica aos atos de violência que acontecem sem punição, e questiona a intervenção do governo na liberdade de escolha dos indivíduos. O mais legal no livro é o vocabulário próprio utilizado por Alex e companhia – o nadsat, equivalente às gírias atuais, só que mais diversificado – que se mistura a uma linguagem formal. No começo você fica meio boiando, mas depois de um tempo desiste de consultar o glossário e descobre que está se familiarizando. Já aviso a quem se interessou que a maioria das cenas são bem fortes.
Nota no Skoob: 3/5


Depois de um livro desses, eu queria mesmo uma leitura mais leve, Minuto de Silêncio. É um romance curtinho de Siegfried Lenz, um dos autores alemães mais importantes da atualidade. O enredo é um flashback da história de amor entre Christian e sua professora de inglês, Stella, interrompida com a morte da moça, já contada na primeira página (calma, eu não daria spoiler sem avisar). O cenário – uma cidade pesqueira no Mar Báltico – então se alterna entre passado e presente, e chega até a ser melancólico, embora permeado de delicadeza e beleza. Daria nota máxima se eu fosse mais fã desse gênero literário.
Nota no Skoob: 3/5

Bruna Vieira
Já que comecei a coluna com a metáfora de uma “refeição” literária, passemos para a sobremesa: os doces contos e romances de uma das blogueiras brasileiras mais influentes atualmente, Bruna Vieira, do Depois dos Quinze. Eu já costumava ler os textos dela no blog, mas então me foram emprestados três livros de sua autoria. Sua primeira publicação é um livro de crônicas: Depois dos Quinze: quando tudo começou a mudar. Sinceramente, eu esperava mais de uma blogueira tão popular, e entre páginas tão bonitas encontrei crônicas simples, açucarados demais para o meu gosto (particularmente falando). Por isso, minha classificação para ele no Skoob foi de 2/5.



O próximo romance foi De volta aos sonhos, segundo volume da série de Bruna Meu primeiro blog. Embora eu não tenha lido o primeiro, a compreensão da história é fácil e a leitura fluída. A protagonista, Anita, tem o poder de viajar no tempo por meio de seu blog, embora seja um ato involuntário. Nessas idas e vindas ela precisa tomar cuidado para não fazer nenhuma grande alteração no futuro e para aproveitar a oportunidade de fazer as escolhas certas. Achei criativo e bem legal como as situações pelas quais Anita passa são baseadas na realidade, além do tema de dar prioridade a seus sonhos. Ainda assim, não conseguiu me surpreender ou me conquistar por completo.
Nota no Skoob: 3/5


Fechei o mês com a última publicação da Bruna: A menina que colecionava borboletas, outro livro de crônicas, mais maduras, porém, do que no primeiro, o que foi uma ótima notícia nesse caso (nem sempre maturidade é sinônimo de qualidade literária). Dessa vez, o foco é a autora em busca da realização de seus sonhos e o processo de escolhas para realizá-los, dentro dos quais está a vida morando sozinha em São Paulo. Sim, ainda estão em pauta seus amores, só que de uma perspectiva um pouco diferenciada. Identifiquei-me com o prazer e necessidade da autora na escrita. Aliás, ela escreve bem. As artes de todos os livros são lindas, especialmente do último livro.
Nota no Skoob: 3/5

E é assim, satisfeita, que terminei o jantar, quero dizer, esse fevereiro. E vocês, o que leram nesse período? Quais são suas opiniões sobre os livros que comentei? E os planos literários para março? Admito, eu tenho várias obras esperando na estante!

Sonho, refúgio e liberdade

Créditos na imagem.
Preciso escrever.

 Apaguei diversas tentativas de começar esse texto. Nenhuma chegara a ter mais de sete palavras, até agora. Então parece que temos um começo. As duas palavras que os introduziram são, na verdade, um forte sentimento tentando ser verbalizado. Estava escrevendo uma resenha, mas o escrever que preciso agora me levou a fechá-la. Peguei meus fones de ouvido. Troquei de sala para ficar sozinha com as palavras. Fechei as redes sociais, deixei além do blogger só o Youtube aberto, tocando Oceans, pianos e violoncelos, pois preciso também de música, e não do tipo que ouço todo dia e toda hora. Esse texto também é especial. Entre tantas formas de arte, a música e a literatura são as que compõem minha vida.
 Em algum momento dos últimos dezesseis anos, manifestou-se em mim essa inclinação, essa convicção, uma vontade, uma necessidade, uma luz intensa demais para ser guardada: preciso escrever. Sim, manisfestou-se, pois nada tão forte teria simplesmente nascido em mim, do nada. Fui influenciada, incentivada por ter sido criada em meio aos livros, minhas amadas histórias. Foi o que Deus reservou para mim dentre suas graças. 
 Enfim, essa paixão cresce. Loucamente. E hoje, hoje eu queria escrever algo assim - sincero, verdadeiro, desinteressado, que não fosse corrigido, que não valesse nota, que não tivesse tempo para entregar. Agora não me importo com a gramática. Nada de dissertação, de argumentação. Que seja o que vier à minha mente.
 Meu coração se abre. Escrevo. Tenho mil ideias, elas vieram em uma onda inesperada de inspiração. Ideias são como os feijões que a gente plantava no algodão quando tava no prézinho, twittei agora à pouco. Dispensa explicações. Essa é a graça da arte: onde todos enxergam um feijão, o artista vê uma metáfora.
 É uma atividade solitária, escrever. Ultimamente, tenho conhecido outras garotas que escrevem e com quem posso me identificar. Ter amigas que entendem isso como um prazer, como eu, dá uma motivação a mais, faz eu me sentir um pouco mais a vontade, embora eu tenha feito isso por anos. 
 Tenho poucas certezas sobre as escolhas que terei de fazer nos próximos anos, mas estou certa de algo: quero escrever a vida toda, não importa o que mais eu faça. Sim, é claro que terá mais, pois preciso viver e aprender muito além do que posso visualizar agora. 
 Quero escrever com a mesma esperança e sinceridade com que Anne Frank escreveu seu diário, com a perspicácia e inteligência de Jane Austen, com o amor com que meus autores preferidos, os clássicos, os recentes, as blogueiras que acompanho, escreveram, escrevem e procuram melhorar. 
 Mais do que tudo, quero viver uma história incrível, que mereça ser contada, que seja uma inspiração para as pessoas assim como as histórias dos meus melhores exemplos - começando por meus pais, pois estou sempre vendo exemplos em muita gente. Na verdade, acho que todos que conhecemos uma hora ou outra durante nossa vida podem nos ensinar alguma coisa, porém precisamos estar atentos à eles. Por isso precisamos de sensibilidade, e com isso quero dizer não ser indiferente às outras pessoas. Sensibilidade é observar, sentir e pensar, refletir e criticar. Ser sensível é admirar e valorizar as pequenas coisas.
 Foi difícil escolher como começar, mas sei como terminar. Com a sensação de saber que encaixei minhas frases soltas em um texto que expressa algo muito simples, que não posso correr o risco de esquecer: escrever é sonho, refúgio e liberdade. 
 Don't only practise your art. But force your way into its Secrets. For it and knowledge can raise men to the Divine. - Ludwig van Beethoven.

 (Não apenas pratique sua arte. Mas force seu caminho entre seus Segredos. Por isso e conhecimento os homens podem elevar-se ao Divino.)

Parceria Editoras Biruta e Gaivota 2015!

É com muita alegria que comunico a vocês, leitores, que o Minhas Leituras renovou a parceria com as Editoras Biruta e Gaivota para 2015!
A parceria já se revelou muito produtiva ano passado, já que todos os quatro livros que resenhei foram bons. Espero ler e resenhar bastante também esse ano, e quem sabe eu esteja preparando uma surpresa pra vocês... Ano passado foi difícil de realizar, mas agora pretendo planejar direitinho.


Bem, eu amo tanto a Biruta quanto a Gaivota e espero que vocês também tirem o máximo de proveito dessa parceria, e sinceramente recomendo que conheçam as editoras (afinal, quem não é um pouquinho biruta ou nunca desejou voar como uma gaivota? Ainda bem que podemos ser tudo isso nas páginas dos livros!):
Editora Biruta
Editora Gaivota
Blog Biruta Gaivota

Se você também se inscreveu para parceria com essas editoras, acesse o link e confira se seu blog foi selecionado!
Parceria 2015

Então é isso aí! Parece que começamos bem o ano ;)

Resenhas relacionadas:
A Ilha de Bowen - César Mallorquí
Duas vezes na floresta escura - Caio Riter
Morada das Lembranças - Daniella Bauer
Batendo à porta do céu - Jordi Sierra i Fabra

Salada de Quotes!


Boa tarde meus leitores queridos! 

Eu estava pensando em escrever outra resenha hoje, porém já escrevi duas seguidas (O Doador de Memórias e Mansfield Park) e também não estou inspirada o suficiente hoje, haha. Então resolvi postar uma salada de quotes, ou seja, frases e trechos de livros variados que me inspiram ou simplesmente chamaram minha atenção em algum momento.

"Não concordo com muitas das coisas que meus amigos fazem ou dizem − o que comem, o que vestem, como educam os seus filhos, como amam ou desamam.  Amigo não é o reflexo da gente, é mais encaixe, compreensão, afinidade e carinho. Amigo é ponte, é paciência, é perseverança. Amigo é honestidade."
- Leticia Wierzchowski (autora brasileira, conhecida por A Casa das Sete Mulheres; colunista da editora Intrínseca). 

Coluna literária no "E aí, já leu?" [Leituras de Férias #2]

Oiê! (Mania de falar "oiê").

Tenho uma novidade muito legal para contar, e já que vocês já leram o título do post não tem porquê fazer suspense: agora sou também colunista no blog E aí, já leu?, ex Sweet Corner, da Raquel. Como já era de se esperar, é uma coluna literária mensal onde falo sobre minhas leituras mais recentes. Esse é um motivo de muita felicidade para mim porque ultimamente tenho achado super interessante ler colunas em sites, porque... sei lá, é diferente de escrever no seu próprio espaço.
Ok, então o primeiro tema foram minhas leituras dessas férias... peço que, se gostarem, comentem, sigam, curtam, etc., o E aí, já leu? e o Minhas Leituras! Espero que gostem dessa parceria!

Link direto aqui.
Links das resenhas nos títulos dos livros.

***

A autora que dominou minhas leituras de férias foi Jane Austen, clássica escritora inglesa conhecida principalmente por sua obra "Orgulho e Preconceito". Durante o ano eu já o havia lido, assim como "Emma", considerada uma de suas obras mais importantes, e segui nas férias com a leitura de "Razão e Sensibilidade", "Persuasão" e "Mansfield Park". Todos são romances ambientados na sociedade do fim século XVIII ou início do XIX, repletos da ironia, perspicácia, crítica e perfeitas descrições psicológicas das personagens e da natureza humana, típicas de Austen, que constrói enredos envolventes com sua escrita leve e elegante. Até agora, "Razão e Sensibilidade" e "Mansfield Park" têm minha preferência, embora eu tenha amado todos os livros.







Outro clássico inglês que li nas férias foi "Um Estudo em Vermelho", primeiro livro da série do mais famoso detetive da literatura: Sherlock Holmes, de Sir Arthur Conan Doyle. Eu já conhecia Holmes de suas outras aventuras, mas voltei a me impressionar com a inteligência, bom humor e criatividade do personagem, assim como a escrita cativante de Conan Doyle é incrível.
Mudando para o gênero distopia, a tal foi o primeiro livro da série "O Doador: O Doador de Memórias", adaptado para o cinema ano passado. A história é muito interessante por ser narrada em uma sociedade planejada para ser perfeita, onde porém não há sentimentos como o amor, cores, dor ou livros (!). A única pessoa que possui as lembranças de tais coisas é o Doador de Memórias, e posteriormente o garoto que ocupará seu lugar: Jonas, o personagem principal. A leitura também é muito rápida e simples.
Migrando para a literatura espanhola, descobri "A Ilha de Bowen", de César Mallorquí, uma aventura entremeada de mistério e ficção científica no estilo "Júlio Verne", bem-humorada principalmente pela presença do professor Ulisses Zarco, na minha opinião o melhor do livro.




E finalmente, voltando para as terras do nosso Brasil, não poderia faltar um pouco de literatura nacional. "O Mundo de Rebeca", de "César Moisés Carvalho" é um livro cristão que ganhei de Natal e, apesar de não ser um dos melhores que já li do gênero, aborda questões importantes da vida do adolescente cristão ou não, e dá as respostas que todos procuram. Apesar de a narração não ser perfeita, gostei muito!
Para finalizar, estou terminando o "Contos Tradicionais do Brasil", do importante escritor nacional "Luís da Câmara Cascudo", que foi um grande estudioso da cultura local. Nessa coleção de contos ele reuniu histórias da tradição oral brasileira, daquelas que a gente ouve quando criança, acompanhadas de notas sobre sua origem e ocorrência em diferentes lugares do mundo, assim como menções às variações de cada história, o que o torna interessante, além de divertido por trazer recordações da infância.


Por Beatriz Teixeira.
 ***



Mansfield Park - Jane Austen [Livro do Mês: Janeiro]

Oiê!

Desde outubro eu venho escolhendo o livro do mês como o melhor que li no determinado mês (isso é bem óbvio, mas antes eu fazia diferente... sei lá porquê), exceto em dezembro, que esqueci dessa coluna :b
Enfim, o livro que encantou meu janeiro foi Mansfield Park, da Jane Austen, portanto hoje eu o apresento a vocês! (Pulei a resenha de Persuasão, mas só por enquanto!)

Sinopse:
Aos 12 anos de idade a jovem Fanny passa a morar de favor em Mansfield Park, a casa do esposo de sua tia, Sir Thomas Bertram. Inteligente e estudiosa, ela logo se torna amiga de seu primo Edmund, o filho mais novo de seus tios, apesar de ser sempre destratada por seu tio e pelas suas primas fúteis. Com o passar do tempo Fanny se torna uma bela mulher, que acaba chamando a atenção de Henry Crawford, jovem que se tornou recentemente seu vizinho juntamente com sua irmã, Mary. Notando o interesse de Henry por Fanny, os tios dela logo promovem um encontro entre os dois para logo depois se sentirem revoltados com o desprezo que a jovem demonstra pelo seu novo vizinho.
Skoob

Opinião: 
Já vi, por alguns comentários lidos na internet, que Fanny Price talvez seja a protagonista menos amada e aclamada pelos leitores de Jane Austen, e que Mansfield Park é considerada sua obra menos importante. Devo dizer que discordo completamente de tais opiniões. Embora eu ainda esteja há uma obra de completar minha coleção da autora e não tenha decidido qual de seus livros é meu preferido, com certeza Mansfield Park ganhou meu coração.
Fanny é tímida, quieta, sensível, gentil e frágil. Veio de uma família muito numerosa e pobre, na qual era a filha mais velha, junto com seu querido irmão William, uma das pessoas que mais ama no mundo. Aos dez anos, foi adotada pelos tios, que se viam na obrigação de aliviar a mãe tão cheia de filhos de uma de suas crianças, enquanto eles mesmos eram ricos. Seus tios são Sir Thomas Bertram e sua esposa Lady Bertram, e a sra. Norris. Embora a ideia da adoção tenha sido da última, que não tinha filhos, ela largou Fanny com os tios, mas nunca perdeu a oportunidade de colocar a pobre menina em seu lugar, abaixo das primas Maria e Julia e primos Tom e Edmund, humilhando-a e fazendo com que se achasse ainda mais indigna de atenção do que já se considerava.
A única pessoa que reconhecesse seu valor é o gentil Edmund, que percebe na pequena prima uma grande inteligência e nobreza de coração e torna-se seu melhor amigo e, à medida que ela cresce, conquista também seu amor secreto, que ela guarda sem nunca ter coragem de demonstrar.
 "Todos os momentos tem seus prazeres e suas esperanças."
A tia Bertram é uma mulher completamente dependente do marido para tomar qualquer decisão, distraída, sem opinião própria e bem sem graça, apesar de bondosa. A sra. Norris, ao contrário, é ativa e autoritária, gosta de ser útil ao cunhado, atribuindo a todos os seus sucessos grande parte de sua opinião, tem uma grande preferência por Maria Bertram. Maria e Julia são moças muito prendadas, educadas, ricas e de grande beleza. Das duas, aquela que trata Fanny um pouco melhor é Julia, mas Maria é quase indiferente à prima. Tom é um preguiçoso, leva uma vida imprudente de esbanjamento e diversão que o leva a criar dívidas e mais dívidas, para a irritação do pai. Já Edmund é a alegria de Sir Thomas: prudente e estudioso, pretende ser ordenado em breve e tornar-se clérigo.
O desenrolar dos acontecimentos foca nos sentimentos de Fanny e em suas impressões sobre eles. É difícil para mim descrevê-la por completo, acho que me identifiquei muito com ela em geral. Ela é considerada sem graça por ser tão obediente e gentil até com quem não gosta, como se não tivesse opinião própria. Mas ela tem, embora tenha medo de ser ingrata ou arrogante em demonstrá-la. Das outras heroínas de Austen, a que mais se assemelha a ela é Anne Elliot, de Persuasão.
Mary e Henry Crawford são o sal da história, pode-se dizer. A chegada deles a Mansfield mexe com os sentimentos dos Bertram. Mary é bem vista por todas, sendo bonita, bem educada e inteligente, mas tem a língua afiada e expressa tudo o que pensa, ao contrário da reservada Fanny. Seus encantos acabam por fisgar Edmund, e embora ela se sentisse mais atraída inicialmente por Tom, acaba retribuindo sua afeição. E sofre Fanny. Mary pode não ser insuportável, mas não gostei dela. Cúmplice do irmão e de amizade duvidosa, nunca soube se podia confiar nela ou não. Seu irmão, Henry, comparo mentalmente com Willoughby, de Razão e Sensibilidade. Apaixonado ou não, nunca o aprovei.
A época em que Fanny passa com a família é uma das quais ela mais amadurece, eu diria. Seu sofrimento parece não ter fim durante o livro todo, e nessa parte senti com ela a decepção, as saudades, a dor. A relação dela com William é uma das mais belas e a que mais a alegra.
Apesar de parecer tão insignificante para alguns leitores, quanto mais o fim do livro se aproxima mais percebemos o quanto ela é importante e insubstituível em Mansfield Park, o quanto sua bondade consola a todos como ninguém mais pode fazer.
Mansfield Park não tem a mesma quantidade de personagens das outras obras de Austen, mas todos são bem caracterizados. Sua ironia usual se faz notar, assim como as críticas à falsidade e às uniões por interesse material de sua sociedade. 
"Ela não se divertia ao observar o egoísmo que, disfarçado, parecia governar a todos e costumava se perguntar como tudo isso ia acabar."
O fim tem suas reviravoltas surpreendentes que nos fazem amar Jane. Aceito que o fim de Fanny foi descrito muito rapidamente, onde podia ter sido mais detalhado, mas como escreveu Jane:

“Abstenho-me de propósito de citar datas nessa ocasião, deixando todos em liberdade para fixarem suas próprias, conscientes de que a cura de paixões inconquistáveis e a transferência de ligações sentimentais imutáveis devem variar muito, como o tempo, em diferentes pessoas." - pág. 561

As opiniões sobre o final são as que mais divergem entre os leitores, ou porque acharam que Fanny não o merecia ou por que o merecia, mas um pouco diferente (difícil não dar spoiler aqui). Sinceramente, eu fiquei muito feliz com o final, apesar de triste por ter de me despedir de uma história tão amada!
"Pois o tempo sempre se impõe entre os planos e as decisões dos mortais, para o seu próprio aprendizado e entretenimento dos próximos."
Nota: 10,00

Ficha técnica:

Título: Mansfield Park

Autora: Jane Austen

Editora: Martin Claret

Nº de págs.: 576

"Uma tendência para a leitura, apropriadamente dirigida, deve ser educativa por si mesma."

O Doador de Memórias - Louis Lowry

Boa tarde!

Até o fim do mês de fevereiro pretendo colocar todas as resenhas em dia, então se preparem para muitas críticas e sugestões de livros! Na verdade era isso o que eu deveria ter feito durante as férias (mas estava ocupada lendo, rs).
Hoje resolvi não deixar para amanhã o que posso fazer agora, já que acabo de terminar O Doador de Memórias, primeiro volume da série O Doador, que foi adaptado para o cinema ano passado.

Capa do filme
Sinopse:
Em O doador de memórias, a premiada autora Lois Lowry constrói um mundo aparentemente ideal onde não existem dor, desigualdade, guerra nem qualquer tipo de conflito. Por outro lado, também não há amor, desejo ou alegria genuína. Os habitantes de uma pequena comunidade, satisfeitos com a vida ordenada, pacata e estável que levam, conhecem apenas o presente o passado e todas as lembranças do antigo mundo lhes foram apagados da mente. Um único indivíduo é encarregado de ser o guardião dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis. Aos 12 anos, idade em que toda criança é designada à profissão que irá seguir, Jonas recebe a honra de se tornar o próximo guardião. Ele é avisado de que precisará passar por um treinamento difícil, que exigirá coragem, disciplina e muita força, mas não faz ideia de que seu mundo nunca mais será o mesmo. Orientado pelo velho Doador, Jonas descobre pouco a pouco o universo extraordinário que lhe fora roubado. Como uma névoa que vai se dissipando, a terrível realidade por trás daquela utopia começa a se revelar.
Skoob
 - Poder escolher é que é importante, não é? - perguntou o Doador. - Pág. 102
Opinião:
Por ser um livro curto, de apenas 190 páginas, e possuir uma linguagem simples, li em dois dias, praticamente de uma vez só. A história é cativante e tudo o que você sente é vontade de prosseguir e ver o que acontece. Quer dizer, tudo não.
Por ser uma distopia, a sociedade em que o protagonista vive é muito diferente da nossa e aparentemente perfeita. Não há violência, conflitos e nem mesmo dor, mas por outro lado também não existe amor, cor ou música. A vida na comunidade é previsível, estritamente organizada e planejada, sempre igual. As famílias são planejadas de acordo com os Anciãos, que são como os governantes da comunidade, portanto ninguém escolhe seu cônjuge ou filho: as unidades familiares são compostas pelo pai, mãe, um menino e uma menina. A rotina também é cheia de regras, como a obrigação de falar sobre seus sonhos com a família ao acordar de manhã e de tomar uma pílula para reprimir o desejo a partir de certa idade. Durante os primeiros doze anos de vida de cada indivíduo, cada ano tem uma cerimônia especial na qual eles ganham algo que os distingue das outras faixas-etárias, por exemplo, aos Nove todos ganham uma bicicleta, que é seu meio de locomoção. A cerimônia mais importante, porém, é a dos Doze. A partir daí, cada um passa a ser treinado de acordo com a área para qual os Anciões reconheceram que tem aptidão.
Ao chegar aos Doze, o personagem principal, Jonas, é escolhido para ser o Recebedor de Memórias, que é único na comunidade, sendo aquele que mantém as lembranças do passado da humanidade, tanto as boas quanto as ruins. O tutor de Jonas é chamado de Doador. Durante a narrativa o Doador transmite a Jonas as memórias do que existia, e o garoto passa a questionar a sociedade atual que vive na Mesmice. Ele não pode compartilhar essas lembranças com ninguém, e é doloroso ser o único capaz de ver as cores (e aprender seus nomes), de saber o que são os sentimentos e o poder das memórias. Depois disso, não posso mais contar nada sem dar spoiler.
A história é muito interessante e chega até a chocar o leitor em alguns momentos. Como seria nossa realidade se não pudéssemos fazer escolhas na vida e, o pior, se não tivéssemos sentimentos, não soubéssemos o que é amor? E se a vida fosse preto e branco, sem música, sem obstáculos, planejada para ser perfeita, mas sempre igual? Esses questionamentos e os métodos utilizados pela comunidade par manter tudo em ordem levam a uma reflexão sobre o quanto nossas lembranças e sentimentos são importantes, praticamente vitais para a felicidade.
A série O Doador possui mais três livros, por isso o final do livro deixou uma grande lacuna ainda a ser preenchida. Apesar de ficar impressionada e interessada pela criatividade da autora, não foi um daqueles livros que me deixaram super animada, então dei três estrelas no Skoob. Agora quero ver o filme, que parece muito bom apesar de que pelo trailer parece bem mais incrementado que o livro (e o começo do trailer me lembra Divergente haha).
Falando de outra distopia, por favor: não comparem O Doador com as sagas atuais, pois esse livro foi publicado pela primeira vez nos anos 90. Só para aqueles que tem mania de achar que certo autor copiou sua série preferida. ;) Gente, temos de ser abertos a novidades!

Nota: 7,0

- Vocês me amam? 
Seguiu-se um silêncio embaraçoso por um momento. Então o Pai deu uma risadinha.
- Jonas, logo você! Precisão de linguagem, por favor!
- Como assim? - perguntou Jonas. Risadas não eram absolutamente o que havia esperado.
- Seu pai está querendo dizer que você se expressou de forma muito generalizada,com uma palavra tão sem sentido que já tornou quase obsoleta - explicou-lhe a mãe em tom cuidadoso.
Jonas os fitou. Sem sentido? Ele nunca havia vivenciado nada mais significativo e tão cheio de sentido do que aquela lembrança.
- E é claro que nossa comunidade não pode funcionar direito se as pessoas não usarem uma linguagem precisa. Você poderia perguntar: "Vocês gostam de mim?" A resposta é "Sim" - disse sua mãe.
- Ou, então - sugeriu o pai - , "Vocês se orgulham dos meus talentos?". E a resposta é, com toda convicção, "Sim".
- Compreende por que é inconveniente usar uma palavra como "amor"? - perguntou a Mãe. 
                                                                                                                   - Pag. 131/132
Ficha técnica:
Título: O Doador de Memórias

Título original: The Giver

Autora: Louis Lowry

Editora: Arqueiro

Nº de págs.: 190


Filme:
Diretor: Phillip Noyce 

Elenco: Brenton Thwaits (Jonas), Cameron Monaghan (Asher), Odeya Rush (Fiona), Jeff Bridges (O Doador), Meryl Streep (Anciã Chefe), Taylor Swift (Rosemary).

Trailer:

Já leu ou assistiu ao filme? Comente o que achou! Sou aberta a todas as opiniões!
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