150 anos de Alice no País das Maravilhas



   Julho foi um mês especial para o clássico Alice no País das Maravilhas. No último dia 4, a obra completou 150 anos de publicação, que renderam diversas edições e adaptações. Assim como muitas pessoas ao redor do mundo, eu também sou apaixonada pelas aventuras de Alice, e não podia deixar de fazer uma pequena homenagem a um de meus livros preferidos.

   Alice no País das Maravilhas foi escrito por Lewis Carroll, pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson e ilustrado por John Tenniel, e oficialmente publicado em 1865. A história é como um sonho, Alice passa por todo o tipo de situação absurda e fantástica, e têm diálogos malucos com os mais fascinantes personagens. Para quem não conhece, uma breve sinopse:

"Alice's Adventures in Wonderland" (frequentemente abreviado para "Alice in Wonderland") é a obra mais conhecida de Lewis Carroll (1832-1898), sendo considerada obra clássica da literatura inglesa. O livro conta a história de uma menina chamada Alice que cai em uma toca de coelho e vai parar num lugar fantástico povoado por criaturas peculiares e antropomórficas.
O livro faz brincadeiras e enigmas lógicos, o que contribuiu para sua popularidade. Carroll também faz alusões a poemas da era vitoriana e a alguns de seus conhecidos, o que torna a obra mais difícil de ser compreendida por leitores contemporâneos. É uma das obras escritas da literatura inglesa que tiveram mais adaptações na história do cinema, TV e teatro.



    No Brasil, a obra é publicada por várias editoras, como a Zahar, Cosac Naify, Martin Claret e L&PM Pocket. Algumas edições trazem tanto Alice no País das Maravilhas quanto Através do Espelho. Gosto muito de ambas as histórias, portanto recomendaria uma dessas edições, se tiverem a oportunidade.
   Meus dois exemplares (foto ao lado) são desse tipo. O primeiro é a edição comentada e ilustrada de 2000 da Zahar. As notas são de Martin Gardner, e são incríveis, pois explicam as passagens enigmáticas, a literatura citada ao longo do livro, costumes do século XIX, e falam sobre Carroll e as Lidell, as garotas que o inspiraram. As ilustrações são as originais de John Tenniel, mas em preto e branco. Meu outro exemplar é uma edição de colecionador da Barnes & Noble, de uma de suas coleções de clássicos. Ganhei de aniversário de uma amiga, um dos melhores presentes possíveis, pois a edição é uma obra de arte, além do fato de que ler no idioma original é mágico no caso de uma narrativa cheia de jogos de palavras e trocadilhos. O livro tem detalhes prateados, capa dura e as ilustrações originais coloridas.

Preços na Saraiva: R$71,90 e 49,90 respectivamente
   Em comemoração aos 150 anos de Alice, a Zahar lançou uma nova edição especial com as duas histórias, e WMF Martins Fontes lançou uma edição recontada.


    As adaptações para o cinema e TV também são muitas, datando desde 1903, quando foi produzido o primeiro filme de Alice, com duração de 10 minutos. Na imagem, o filme de 1933 (Paramount), a animação de 1951 (Disney), a minissérie/filme de 1985 e o filme dirigido por Tim Burton de 2010 (Disney).
    Existem muitas outras versões e também livros de Alice recontados para crianças, diversas formas de arte inspiradas na história.

    Sem dúvida, as aventuras de Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho sempre acompanharão a mim - e a outros incontáveis leitores e gerações - durante anos e anos, quando estiver afim de ver e viver sonhos extraordinários.
   Deixe-me pensar: eu era a mesma quando me levantei esta manhã? Tenho uma ligeira lembrança de que me senti um bocadinho diferente. Mas, se não sou a mesma, a próxima pergunta é: 'Afinal de contas quem sou eu?' Ah, este é o grande enigma!
(...)
   "Quem é você?" perguntou a Lagarta.   Não era um começo de conversa muito animador. Alice respondeu, meio encabulada: "Eu... eu mal sei, Sir, neste exato momento... pelo menos sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que já passei por várias mudanças desde então."
Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll. 

Na Teia do Morcego - Jorge Miguel Marinho

      "Com um estilo completamente livre de narrar e uma enorme criatividade para o desenrolar dos fatos e principalmente para a criação das personagens, Jorge Miguel Marinho escreveu uma obra, sem dúvida, intrigante. Os diálogos, onomatopeias (sim, quase como nos quadrinhos), meios de comunicação diversos são bem articulados e a linguagem predominantemente informal, variando de acordo com cada personagem. É até mesmo difícil definir o gênero do livro, que apresenta uma verdadeira "teia" de mistério, drama e até mesmo algumas doses de romance e comédia."


Sinopse:

    A história se passa na região central da cidade de São Paulo e tem como um dos protagonistas o Batman. Será esse Batman o mesmo dos quadrinhos, fugido de Gotham City, ou somente um louco fissurado no personagem? O ponto de partida do mistério por trás de Na Teia do Morcego é a morte da jovem Abigail Aparecida Chaud, e seu envolvimento com o herói, conhecido pela alcunha de Cidadão Tristeza. Essa figura pula pelos telhados dos prédios, assusta gatos, dirige um Maverick e tem uma capa brilhante. De vez em quando, chora grossas lágrimas pretas iguais a nanquim e deixa copos borrados de batom. O Cavaleiro da Justiça, como se autodenomina, é um personagem peculiar – e vira alvo fácil de ataque dos moradores da região. Sem saber quem é o verdadeiro assassino e tendo suspeitos em todos que conheciam a moça assassinada, o autor convida o público a tentar desvendar esse mistério.
Editora Gaivota

Opinião:

   A primeira coisa que chama a atenção em A Teia do Morcego, é a edição e qualidade física. Não é à toa que o livro foi finalista do Prêmio Jabuti 2013 na categoria Projeto Gráfico. A capa e o interior do livro são ilustrados, e a história é narrada tanto tradicionalmente como por meio de recortes de jornal, cartas, trechos de diário, atas, e-mails, etc., portanto é uma obra incrível visualmente.

   Mas o principal é o conteúdo, certo? Pela sinopse fiquei muito interessada no livro, que prometia um mistério no mínimo curioso, visto que envolve o próprio Batman perambulando por São Paulo. De fato, o suposto suicídio de Abigail Chaud intriga todos os moradores do Edifício Luz del Fuego. A investigação segue por meses a fio com pistas contraditórias e muitos suspeitos, já que ao que tudo indica, a "moça da luneta", como era conhecida por observar a vida dos moradores através de uma luneta em sua sacada, tinha mais motivos para ser assassinada do que para se matar. Cada morador possui seus segredos, e se eles estão ou não relacionados à Abigail é a grande charada. Como escreveu o próprio Batman:
"Todos temos um pouco de detetive e assassino. De certa forma investigamos um crime buscando absolvição. Digo isso porque sei exatamente quem foi o assassino de Abigail e o fato de conhecer intimamente o culpado não absolve os outros envolvidos. É como se um tomasse a dianteira realizando o desejo do outro. Todos odeiam pessoas como ela e eu também tinha meus motivos. Abigail cultivava e deixava minar de dentro dela aquele dom de deixar todo mundo inquieto. (...) Apenas procuro ver com imparcialidade que todos são assassinos, até mesmo ela que não deixa de ser a vítima e o seu próprio algoz."
Pág. 151
   Aliás, aí está o outro grande mistério do romance: o Batman, idêntico ao das HQs, combatendo o crime de São Paulo, aquele a quem os moradores passam a chamar principalmente de Cidadão Tristeza por sua fisionomia melancólica. De início, eles o repudiam e até o temem, mas quando ele desaparece tentam chamá-lo de volta. Porém, essa charada-personagem cabe a nós, leitores, desvendarmos. Quem mais nos dá pistas sobre essa figura é um jovem, Hermann, que sai para agir junto com o Batman em algumas noites, como se fizesse para ele o papel de um Robin temporário. É ele quem mais se aproxima do herói, embora desconhecendo a maioria de seus mistérios. Por exemplo, por que Batman parece se desfazer em tinta escura quando chora? Será ele quem realiza os telefonemas misteriosos para cada morador do prédio? Será ele o próprio Batman ou um fanático qualquer?

   Com um estilo completamente livre de narrar e uma enorme criatividade para o desenrolar dos fatos e principalmente para a criação das personagens, Jorge Miguel Marinho escreveu uma obra, sem dúvida, intrigante. Os diálogos, onomatopeias (sim, quase como nos quadrinhos), meios de comunicação diversos são bem articulados e a linguagem predominantemente informal, variando de acordo com cada personagem. É até mesmo difícil definir o gênero do livro, que apresenta uma verdadeira "teia" de mistério, drama e até mesmo algumas doses de romance e comédia.

   Entretanto, por mais incrível que pareça, não me envolvi com a história em si como esperava, e cheguei a me decepcionar um pouco com o desfecho. Foi completamente inesperado, mas não correspondeu a minhas expectativas, se bem que a intenção do autor talvez tenha sido justamente essa. O Batman? Um mistério que para mim continuará sem resposta, e isso para mim foi a melhor parte do enredo. Ou seja, particularmente, A Teia do Morcego é um livro bom, mesmo não tendo correspondido às minhas expectativas em relação ao enredo, apesar de ter superado em termos de originalidade.
Talvez minha opinião seja tão paradoxal quanto os personagens dessa teia.

Nota: 7,5
Nota no Skoob: 3/5

Ficha técnica:
  

Título: Na Teia do Morcego

Autor: Jorge Miguel Marinho

Editora: Gaivota

Nº de páginas: 255



Fahrenheit 451 - Ray Bradbury

Existe mais de uma maneira de queimar um livro. E o mundo está cheio de pessoas carregando fósforos acesos.
- Ray Bradbury



Sinopse:

A obra de Bradbury descreve um governo totalitário, num futuro incerto mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instaladas em suas casas ou em praças ao ar livre. O livro conta a história de Guy Montag, que no início tem prazer com sua profissão de bombeiro, cuja função nessa sociedade imune a incêndios é queimar livros e tudo que diga respeito à leitura. Quando Montag conhece Clarisse McClellan, uma menina de dezesseis anos que reflete sobre o mundo à sua volta e que o instiga a fazer o mesmo, ele percebe o quanto tem sido infeliz no seu relacionamento com a esposa, Mildred. Ele passa a se sentir incomodado com sua profissão e descontente com a autoridade e com os cidadãos. A partir daí, o protagonista tenta mudar a sociedade e encontrar sua felicidade.
Skoob
   Tudo depende do que você entende por social, não é? Social para mim significa conversar com você sobre coisas como esta. - Ela chocalhou algumas castanhas que haviam caído da árvore do jardim da frente. - Ou falar sobre quanto o mundo é estranho. É agradável estar com as pessoas. Mas não vejo o que há de social em juntar um grupo de pessoas e depois não deixá-las falar, você não acha?
Pág 50

Opinião:

   Fahrenheit 451 é uma narrativa rápida e intensa, ou seja, cada momento no livro tem uma grande importância para o protagonista, Guy Montag, e consequentemente para o leitor. Inicialmente, Montag é um bombeiro comum, que queima livros sem nunca ter questionado o porquê de seu emprego. Sua sociedade é superficial, as pessoas mal se conhecem, são vidradas nos programas exibidos por telões que ocupam as paredes das casas, cujos personagens chegam a ser chamados de "família". Dirige-se a velocidades absurdas e quem é flagrado mais lento que isso acaba preso, assim como quem ousa andar a pé e, principalmente, ter posse de livros. Bradbury não nos apresenta diretamente a essa sociedade, somos introduzidos nela de acordo com o cotidiano das personagens.
   Não se pode precisar o momento em que uma amizade se forma. Como ao encher gota a gota uma vasilha, há, no final, uma gota que a faz transbordar, assim, também, em uma série de gentilezas, há uma que, por fim, faz o coração transbordar. 
Pág. 97

   Estava tudo muito bem para Montag até que ele conhece a nova vizinha, Clarice McClellan, uma garota observadora do mundo e das pessoas, com quem se sente bem em conversar. Em poucos dias, os dois formam uma amizade e o bombeiro começa a abrir os olhos para a loucura do mundo a sua volta, em seus diálogos Clarice o leva a refletir sobre o quanto as pessoas são vazias, o quanto não têm tempo para observar o mundo. A partir daí, Montag se dá conta de que não é realmente feliz e que não ama sua esposa, Mildred, a quem mal conhece. Começa a ficar intrigado sobre os livros que os bombeiros queimam, e em uma dessas missões acaba surrupiando um livro. O capitão Beatty, seu chefe, desconfia de Montag e tenta convencê-lo de que os bombeiros garantem a felicidade, de que questionar é ser infeliz. Porém, ele procura a ajuda do ex-professor Faber, fortalecendo sua certeza de que as pessoas vivem uma falsa realidade e de que precisam dos livros, de conhecimento, de crítica. Obviamente, essa certeza lhe custa a segurança de sua vida atual, que sofre uma verdadeira reviravolta.
   Não é de livros que você precisa, é de algumas coisas que antigamente estavam nos livros. (...) Descubra essa coisa onde puder, nos velhos discos fonográficos, nos velhos filmes e nos velhos amigos; procure na natureza e procure em você mesmo. Os livros eram só um tipo de receptáculo onde armazenávamos muitas coisas que receávamos esquecer. Não há neles nada de mágico. A magia está apenas no que os livros dizem, no modo como confeccionavam um traje para nós a partir de retalhos do universo.  
Pág. 109-110

   Ao longo da história, sentimos o deslumbramento de Montag enquanto descobre o mundo, cada aroma, cada sensação é descrita e desperta nele uma nova emoção, como uma criança, e uma reflexão ao comparar a si mesmo no presente com ele mesmo há algumas semanas. Os diálogos entre as personagens são ótimos e os assuntos abordados pelo autor são interessantes e bem explorados, uma crítica clara à superficialidade da mídia e à repressão da cultura. Os únicos pontos negativos, na minha opinião, foi a descrição excessiva e repetitiva em algumas partes e a impressão de que o autor poderia ter desenvolvido mais o final do livro. No geral, gostei muito das reflexões colocadas em questão sobre o mundo de hoje, afinal, o que estamos vivendo não difere muito da sociedade criada por Bradbury.

Nota: 8,5
Nota no Skoob: 4/5

Ficha técnica:

Título: Fahrenheit 451

Autor: Ray Bradbury

Editora: Globo Livros

Nº de páginas: 216

Adaptação cinematográfica: Fahrenheit 451 (1966)


Palavras da autora

  Depois de um tempo sentindo saudades de escrever por aqui, em vez de começar de cara com as resenhas e os outros posts literários, resolvi compartilhar meu primeiro post no Le Petit Memoir, um blog só de textos que criei com uma amiga, já que nunca cheguei a fazer uma apresentação no Minhas Leituras, mais de quatro anos depois de criá-lo. Aliás, como pouca gente anda visitando esse blog, quem sabe não consideramos isso mais um começo?

***

 Tenho 16 anos e meio, ideias diversas, e muitos sonhos.
De minha vida posso dizer que tive uma infância muito feliz e tranquila, da qual eu nunca abriria mão – mesmo com seus apesares – se pudesse impedir o tempo de seguir seu curso. Mas, mesmo que o tempo pareça cada vez mais complexo, que a consciência dos prós e contras da vida seja chave para infinitas reflexões e escolhas, e que as escolhas não parem de ganhar importância, tenho a felicidade que Deus me deu, assim como o amor e a fé, como estrelas para me guiar enquanto exploro o mundo sem me perder.
Sobre minhas ideias e sonhos, eles também crescem e mudam. Antes mesmo de aprender a ler, apaixonei-me pelas histórias que liam para mim, pelos livros e, mais tarde, pelo ato de escrever. Em 2010 criei meu blog Minhas Leituras, para combinar esses meus “hobbies”, embora hoje eu o considere também como um lugar para deixar meu olhar sobre o mundo. Minhas ideias vivem em metamorfose, principalmente quando textos; muitas delas vêm a pousar em momentos e lugares inesperados, desembarcando palavras em uma conversa aleatória ou durante a aula de Matemática. Difícil é guardá-las para o papel ou para o teclado, às vezes elas simplesmente se desvanecem quando quero prendê-las, como sonhos que somem logo após o despertar, deixam apenas uma impressão, e por mais que você tente não consegue recordar.
Sonhos, os que se tecem sobre o futuro, são mais dóceis. Bom é acalentar sonhos, não importa que forma tenham, se têm fundamento ou se possuem alguma possibilidade de passarem do casulo à borboleta. Ia falar sobre algum desses meus planos, mas apesar de belos, são ainda incertos. Certezas, possuo poucas, queria estar de férias também das minhas dúvidas, principalmente daquelas que só eu posso encontrar a resposta.
Bem, deixe-me pensar em algo mais a dizer sobre mim sem ficar dissertando banalidades. Costumo ouvir mais do que falar, geralmente sou quieta, provavelmente porque tímida, porém tenho prazer em conversar com quem gosto – quando tenho o que dizer – rio muito e facilmente. Amo a música tanto quanto os livros, principalmente quando estou tocando. Gosto de aprender, de estudar, de imaginar, por vezes sou curiosa como criança. Gosto da praia, do mar, do campo, de viajar, de observar as paisagens que mudam da janela do veículo, e de ficar em casa. Gosto das pessoas, por mais difícil que seja a compreensão de cada uma delas, dos animais, das plantas. Gosto de figuras de linguagem, de parênteses, de citações. E gosto de tantas pequenas coisas, que não vêm ao caso nessa breve apresentação.
Amo a vida e muitas pessoas que transbordam meu coração (são muitas para citá-las), e amo a Jesus Cristo – o motivo de toda a minha felicidade e paz – com toda a minha vida.

E entre um texto e outro, quem lê vai me conhecendo e também eu vou aprendendo a me compreender.

Prazer, Beatriz.

***


Leituras recentes!

Oláááá!

Pois é, ultimamente tenho postado muito menos do que gostaria, mas continuo lendo muitos livros muito bons, que preciso compartilhar com vocês! Então, enquanto as férias não chegam para colocar as resenhas em dia, fica aqui um breve resumo de minhas leituras mais recentes.


O Dragão de Gelo - George R. R. Martin


   O Dragão de Gelo é um romance fininho, cuja história é ambientada no mundo fantástico de As Crônicas de Gelo e Fogo, na época em que os dragões ainda eram comuns no céu de Westeros, e as estações do ano ainda eram curtas e regulares. A protagonista é Adara, uma garotinha nascida de um inverno rigoroso, que parece ter ficado impregnado nela. Tanto é que ela acaba fazendo amizade com o temido dragão de gelo. 
Embora seja um livro infantil, para os fãs de As Crônicas de Gelo e Fogo é uma bela aquisição para sua coleção: as ilustrações são maravilhosas e, afinal de contas, é uma bela história. Sim, eu poderia tê-lo ignorado, mas não resisti.

   Adara gostava do inverno mais do que tudo, pois quando o mundo esfriava, o dragão de gelo aparecia.
Ela nunca teve muita certeza se era o frio que trazia o dragão de gelo ou o dragão de gelo que trazia o frio.


As Aventuras de Pi - Yann Martel


   As Aventuras de Pi são aventuras que realmente merecem espaço na minha estante, porque simples adorei o livro. Claro, melhor que o filme, embora também tenha gostado da adaptação. Pi é um garoto cujo navio que levava sua família e os animais de seu zoológico da Índia para o Canadá afundou em uma tempestade. Ele foi o único sobrevivente humano, sendo que quando se viu no bote depois da tempestade, tinha como companhia alguns animais, dentre eles um tigre-de-bengala. Os capítulos são narrados por ele, que conta sua história para um escritor, contando a sua fatigante e perigosa viagem pelo enorme oceano Pacífico, que parecia infinita. A companhia do tigre, ironicamente, é o que mantém acesa a sua esperança.
   Segundo o que li em diversas resenhas, Yann Martel "se baseou" na obra Max e os Felinos, do brasileiro Moacyr Scliar, para escrever As Aventuras de Pi, o que deu muita polêmica depois que ele ganhou o Booker Prize, foi adaptado para o cinema e ganhou alguns Oscars e outros prêmios. Muita gente chamou isso de plágio, porque a ideia principal da história é a mesma nos dois livros, só trocando, por exemplo, o jaguar por um tigre, etc.. Como não li Max e os Felinos (mas agora pretendo) não tenho como tirar minhas próprias conclusões, só sei que agradeço ao Moacyr Scliar, então. 

   A vida é tão linda que a morte se apaixonou por ela, e é um amor ciumento, possessivo, que tenta controlar o que pode. Mas a vida escapa a esse controle com a maior facilidade, perdendo apenas uma coisinha ou outra sem grande importância, e para ela, a tristeza nada mais é que a sombra passageira de uma nuvem.
Pág. 18


Antologia Poética - Carlos Drummond de Andrade

   
   Essa é uma seleção de poemas de livros diversos de Drummond, feita por ele mesmo. Como tenho que ler Sentimento do Mundo para o vestibular, comecei pela Antologia poética. Foi minha primeira leitura de Drummond, o que me deixa muito feliz, ele é maravilhoso. O certo é ler poesia aleatoriamente (o certo para mim, gente, isso é bem pessoal), mas li tudo de uma vez feito um romance por motivos de Ensino Médio, haha. Poesia é uma coisa que aprecio muito, mesmo que eu prefira escrever prosa, é como se fossem as ideias em seu estado mais puro. Muito bom!
   
   O tempo - que fazer dele? Como adivinhar, Luís Maurício,
   o que cada hora traz em si de plenitude e sacrifício?
   Do poema A Luís Maurício, infante.


Til - José de Alencar


   Til é um romance do Romantismo, com uma protagonista apaixonante e uma narrativa repleta de amor, dor e sacrifício. Berta, apelidada de Til por um de seus protegidos, é uma garota órfã e vive cuidando dos mais necessitados, desde animais até indivíduos rejeitados pela sociedade. Seus amigos tem tanto carinho por ela quanto ela por eles; Berta é para os garotos e homens a mulher que lhes inspira amor. 
   Sinceramente, amei, não entendo todo o preconceito que ouço contra a literatura brasileira clássica. Apaixonei-me pelos personagens e pela narrativa detalhada de José de Alencar. Gosto do estilo romântico, que destaca apenas o que é belo e que faz do feio tão poético!

   E assim é tudo nela; de contraste em contraste, mudando a cada instante, sua existência tem a constância da volubilidade. Na vaga flutuação dessa alma, como no seio da onda, se desenha o mundo que a cerca; a sombra apaga a luz; uma forma desvanece a outra; ela é a imagem de tudo, menos de si própria. 
Pág. 26, uma descrição de Berta.


Extraordinário - R. J. Palacio


   Extraordinário é bem a palavra que eu usaria para descrever este livro. O August, seus familiares, seus amigos, todas as relações que surgem são tão reais! A inocência com que os capítulos do Auggie são narrados é linda, e... É uma daquelas histórias que nos fazem refletir, rir, chorar e guardar os melhores quotes (que são ótimos). Enfim, deixarei os detalhes para a resenha, mas já deu pra ter uma ideia do quanto gostei, né?

   Não precisamos dos olhos para amar, certo? Apenas sentimos dentro de nós.
  Pág. 233


Cada Segredo - Laura Lippman


   Comecei a leitura de Cada Segredo de uma forma completamente espontânea: minha amiga (a dona do livro) o deixou em cima da mesa, eu peguei para ler a sinopse (afinal, que fã de romances policiais não se sentiria atraída por essa capa?) e achei interessante, começando o prólogo logo depois. O fato é que o prólogo me fisgou, fiquei completamente curiosa, e literalmente comecei a compartilhar o livro com minha amiga durante as aulas. No fim, quando ela terminou, devorei a metade que me faltava para o fim em uma noite, porque apesar de ser um bom suspense, também é uma enrolação magnífica em algumas partes completamente desnecessárias.
   Basicamente é a história do sequestro e assassinato de um bebê que ocorreu na cidade de Baltimore, sete anos atrás, cometido por duas garotinhas de onze anos. Ninguém sabe ao certo qual das duas o fez, mas sabe-se que agiram em conjunto. Então, quando elas saem do reformatório, outros bebês começam a desaparecer por curtos períodos de tempo ao redor da cidade, coincidentemente. Ou seja, o crime atual remonta ao crime antigo. A narrativa vai se alternando entre as garotas, a detetive responsável pelo caso, a mãe da bebê assassinada, lembranças do passado, etc., etc.. Como eu disse, alguns personagens só servem para atrasar o rumo da história, mas em geral é um livro bem cativante. O final me decepcionou um pouco, porém foi um alívio saber as respostas para todos os questionamentos que foram levantados sobre os crimes ao fechar o livro.

***

   Por fim, minhas outras leituras mais recentes que já foram resenhadas você pode conferir nos links:


E vocês, o que andam lendo? Espero que tenham curtido o post!

Beijos!

Lis no peito: Um livro que pede perdão - Jorge Miguel Marinho

Às vezes, ou quase sempre, é um tormento fazer as palavras combinarem com as ideias, os pensamentos, as emoções que se chocam dentro de nós como blocos de gelo navegando em água turva, farpas imantadas e boiando tontas em mar estranho. Tudo é da mesma matéria, mas a palavra briga com a vida, você sabe.  
- Jorge Miguel Marinho, Lis no Peito, pág. 13


Sinopse:

Este livro fala de amor entre jovens, da felicidade de adiar um primeiro beijo tendo a certeza de que ele vai acontecer, de delicadezas e violências que são tão presentes no mundo de quem quer se descobrir.
Há um crime, imperdoável talvez, e o possível criminoso pede para um escritor amigo escrever a sua história, porque ele mesmo não consegue entender se é culpado ou não. Precisa de outros olhos para ser condenado ou absolvido, sobretudo para continuar a viver. É aí que o leitor entra e, mesmo em silêncio, se vê responsável e seduzido para dar o seu veredicto final. Em síntese, este livro quer trazer o leitor para dentro das suas páginas e, provisoriamente, com ele dar um fim à sua história num “encontro bom” entre a mão que escreve e os olhos de quem lê. Clarice Lispector também está presente nessa trama e vai crescendo e atirando palavras dos seus livros como uma espécie de pista para que o escritor, os personagens e os leitores entrem com tudo na misteriosa e imperdível aventura de “existir” e julguem o “réu?” com aquela sensibilidade que é puríssima “revelação”. É por essas e por outras que este livro pede “perdão” e ela, a Clarice, parece dizer que toda história é “absolvida” pela simples leitura e este gesto é como alguém que dá a mão a outro alguém vivendo num instante “tudo o que se pode esperar de uma alegria.”

Editora Biruta
Escrever para alguém é quase sempre essa necessidade tão humana de aproximar a mão que escreve dos olhos de quem lê.”- Jorge Miguel Marinho.

Opinião:

Lis no peito é, de fato, um livro que parece falar, como se pudesse ser ouvida a voz do autor em nossa cabeça. E por incrível que pareça, é uma história simples, singela, tal como a escrita de Jorge Miguel Marinho. É a história de um adolescente, Marco César, descobrindo o amor e a literatura de Clarice Lispector. Aliás, Lispector é quase que uma personagens, presente na abertura de cada capítulo e na vida das personagens. Foi também dela que surgiu o título: Lispector = Lis no peito, flor-de-lis.
Marco César é um jovem meio solitário, que não se sente pertence a ninguém. Fica amigo de um escritor, que se dispõe a escrever sua história para que os leitores o absolvam ou condenem de um crime, do qual se arrependeu. Qual é o crime, não posso dizer. O que encanta no enredo é a inocência, as emoções de Marco César que de repente se vê apaixonado, tanto que começa a ler o que seu amor gostava de ler, os livros de Clarice Lispector que também passam a fazer parte dele, a mostrar o seu reflexo.

- Esse pássaro não deve ser só um pássaro, esse pássaro é um voo. Presta atenção para você ver se não é.
Pág. 73

A escrita do autor é poética, sincera, voadora, eu diria, é difícil explicar. Isso e a edição linda do texto, além da singularidade da história, envolvem o leitor. É uma leitura rápida, mas pode ser saboreada aos poucos, como um livro de poesia, até para atender ao pedido do autor de ler "distraidamente".
Com certeza, eu teria aproveitado ainda mais se tivesse lido algo da Clarice Lispector, o que pretendo fazer logo.

E ficaram assim, um ao lado do outro, imaginando ou, quem sabe, sentindo que o amor devia ser um alvo que não se acerta, que não se conhece o tamanho, a matéria a natureza e o miolo. Ficaram assim, um ao lado do outro, parecendo um desenho do amor que se bastava com duas pessoas sentadas juntas debaixo de uma amoreira em silêncio, sem canto, sem pássaro, sem nada alado, apenas duas pessoas em estado de pura entrega, um casal procurando e esperando o próximo instante que estava pronto para chegar.
Pág. 170

Nota: 7,5

Ficha técnica:

Título: Lis no peito - Um livro que pede perdão

Autor: Jorge Miguel Marinho

Editora: Biruta

Nº de páginas: 181


Então, pessoal, interessaram-se ou já leram Lis no peito?

Fiquei sem postar por algumas semanas (mas parecem meses!), estava com tanta saudade! Tenho muitos livros legais para recomendar! Enquanto as novas resenhas não saem, sigam-me no Skoob para saber o que venho lendo: http://www.skoob.com.br/usuario/428609.

Até mais! :D


Últimos lançamentos Editora Biruta

  Para vocês, leitores, que estão procurando o que ler em maio, trouxe algumas sugestões para vocês com os últimos lançamentos da Editora Biruta! Além disso, sete livros da mesma editora (Biruta e Gaivota) receberam o selo de Altamente Recomendável da FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) 2015, e os apresento aqui. Não deixem de dar uma olhada, tenho certeza de que pelo menos um desses títulos entrará para sua lista de desejados!

Últimos lançamentos:





Altamente Recomendável pela FNLIJ na categoria Jovem:


Resenha no Minhas Leituras: Morada das Lembranças, Daniella Bauer.


Resenha no Minhas Leituras: Batendo à porta do céu, Jordi Sierra i Fabra.


Sinopse e informações: Primavera, Oskar Luts.


Sinopse e informações: O Telephone, Luís Dill

Para ver os outros livros que receberam o selo e mais informações, acesse o blog das editoras! Blog Biruta Gaivota.


A Abadia de Northanger - Jane Austen

Olá!

Para começarmos maio com muita alegria e ótimas leituras, aqui está mais uma resenha de uma de minhas autoras preferidas: Jane Austen!



Sinopse:
Escrito quando Jane Austen era muito jovem e publicado postumamente em 1808, “A Abadia de Northanger” é sem dúvida uma comédia satírica que aborda questões humanas de maneira sutil, tendo como pano de fundo a cidade de Bath. O enredo gira em torno de Catherine Morland, que deixa a tranquila, e por vezes tediosa, vida na zona rural da Inglaterra para passar uma temporada na agitada e sofisticada Bath do final do século XVIII. Catherine é uma jovem ingênua, cheia de energia e leitora voraz de romances góticos. O livro faz uma espécie de paródia a esses romances, especialmente os escritos por Ann Radcliffe, Jane Austen faz um ótimo contraste entre realidade e imaginação, vida pacata e as situações sinistras e excitantes que os personagens de um romance podem viver.
Saraiva


Vou observar, mais uma vez, que amo essa edição da Martin Claret <3

Opinião:

Catherine Morland é uma jovem leitora de romances góticos, sonhadora e ingênua. É uma personagem que passa por um grande amadurecimento durante o romance, é quase inacreditável como isso acontece nas trezentas páginas do livro mesclado com o humor das críticas e descrições da autora, além da defesa ao gênero romântico e à mulher. Durante a narrativa, Jane Austen faz algumas pausas para ser referir à sua heroína comparando-a para as heroínas de romance convencionais. Em todas as minhas resenhas tenho repetido: a escrita dela é genial. Em todos os seus livros, este foi um aspecto impecável e por vezes o mais cativante. 
Quando Catherine vai passar uma temporada na agitada Bath com o sr. e a sra. Allen, sua vida finalmente tem a oportunidade de ganhar um pouco mais de emoção. Ela é toda animação para seus primeiros bailes, mesmo que públicos, e para a nova amizade que encontra em Isabella Thorpe. Mas o que mais lhe encanta é o rapaz que conheceu em um dos bailes: o sr. Tilney. Pela primeira vez em dezessete anos seu coração acelera por alguém, a cada encontro casual sua felicidade não pode ser maior, e a cada imprevisto desdobra-se em aflição. Ao mesmo tempo, Catherine é cortejada pelo desagradável irmão de Isabella, a quem tem de suportar em nome de sua amizade. Tudo é tão novo e tão maravilhoso a sua juventude que demora a perceber a mútua afeição entre Isabella e James, seu irmão mais velho, e, ao longo do tempo, as contradições no comportamento de sua amiga.
Quando o coração está mesmo cativo, sei muito bem como é indiferente a atenção de qualquer outra pessoa. Tudo o que não está relacionado com a pessoa amada é tão insípido, tão desinteressante! Entendo perfeitamente os seus sentimentos.
Não demora a se estreitar a amizade com Henry Tilney, principalmente através de sua irmã, Eleanor, e com isso, vêm também os conflitos entre os grupos de amigos. Quando um passeio marcado com os Tilney cai no dia em que é convidada pelos Thorpe, Catherine começa a dar mostras de seu caráter e coração de heroína. 
Havia boa dose de bom-senso nisso tudo; mas há situações da alma humana sobre as quais o bom-senso tem muito pouco poder.
A abadia de Northanger aparece na história quando a temporada em Bath está chegando ao fim, mas Catherine é convidada para passar mais um tempo com os irmãos e o general Tilney. Sua imaginação é atiçada só com a ideia de ser hóspede em uma abadia como lera nos livros. Aqui a crítica aos romances góticos fica muito clara. Em seus primeiros dias no local, a heroína sofre diversas desilusões devido a suas fantasiosas expectativas que contrastam com a realidade até o ponto de expô-la ao constrangimento. Entre uma decepção em outra, primeiro consigo mesma, depois com pessoas em quem confiara, Catherine aprende e amadurece muito. 
Não aprendeu a se esquecer do passado ou a dele se desculpar; mas aprendeu a ter esperança de que ele nunca mais voltasse a transpirar.
Sendo o último livro para completar minha coleção da Jane Austen, foi também o que menos gostei, mesmo tendo apreciado a obra. Não sei explicar, mas é como se eu não tivesse sido "arrebatada" para o ambiente e para época do mesmo modo que aconteceu com os outros livros. Mesmo assim, valeu a pena. 
Ali viera para ser feliz, e feliz já se sentia.
Em breve terminarei um post só sobre a Jane Austen para falar um pouco mais sobre os livros que mais gostei e sobre a própria autora. E escreverei a resenha de Persuasão, que já li há alguns meses mas acabei deixando para depois. Não tenho dúvida que logo terei de reler alguma dessas maravilhosas obras, porque me afeiçoei muito tanto à escrita quanto aos personagens dessa autora clássica e incrível.

Nota: 8,0



Ficha técnica:


Título: A Abadia de Northanger

Autora: Jane Austen

Editora: Martin Claret - Coleção Jane Austen Vol. 5

Nº de págs.: 301

Adaptações para TV: Northanger Abbey - filme de 1986 da BBC; Northanger Abbey - filme de 2007 com Felicity Jones e J. J. Feild dirigido por Jon Jones para ITV.

Leia também minhas resenhas para Emma, Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito e Mansfield Park, da mesma autora, aqui.

O que vocês acham do livro ou da autora? Garanto que, se você não conhece e é fã dos clássicos ou romances, Jane Austen é leitura obrigatória ;)

Deixem suas opiniões também sobre a resenha nos comentários! 

Bia.

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