Princesa: A história real da vida das mulheres árabes - Jean P. Sasson

 Quando um livro conta uma história real, ele move algo em você, sua forma de ver o mundo, ou parte dele. Reforçar seus valores é outro benefício que esse gênero literário traz, por mais doloroso que possa ser ler a realidade enquanto você está sempre tão disposta a encontrar refúgio na ficção.

 Princesa é a história de uma nobre mulher saudita, chamada no livro de Sultana, que representa na verdade toda a população feminina da Arábia Saudita, desde a infância até idade adulta, tempo suficiente para sofrer e presenciar os mais absurdos e cruéis abusos contra a mulher em seu país, e nessa região do oriente. A americana Jean Sasson, tendo conquistado a amizade da princesa, foi requisitada por ela para escrever a sua história, já que Sultana seria gravemente punida pelas leis de seu país se fosse descoberta.



Sinopse:
Princesa - Casamento forçado, mutilações e violências sexuais, execução pública por apedrejamento ou confinamento pela família, censura, proibição de dirigir, de viajar ou mostrar o rosto - estas são apenas algumas formas de opressão com que as mulheres muçulmanas ainda são tiranizadas no Oriente Médio. Num depoimento contundente, uma autêntica princesa da Casa Real Saudita revela, sob risco de vida, a intimidade dessa terra fechada, onde o respeito aos direitos e à qualidade de vida das mulheres continua lhes sendo negado. Uma terra onde ainda imperam os homens, o sexo e o dinheiro.
Skoob

Opinião:
 No mundo de Sultana, nem mesmo as mulheres nobres escapam das inúmeras proibições que são impostas a seu sexo. Em poucas famílias elas têm direito ao estudo, as mais ricas têm que se contentar em ser uma dentre as muitas esposas do homem, na maioria dos casos não conhecem seus maridos até o dia do casamento, não podem dirigir, precisam ser submissas a quaisquer desejos dos homens. São praticamente consideradas como ninguém, apenas propriedades dos homens, já que seus nascimentos ou mortes não são registrados. Suas punições são mais graves, muitas vezes por crimes que não cometeram, mas não têm o direito de se defender pois sua palavra é manejada ao gosto de homens. A vida daquelas que defendem seus direitos, como Sultana, mesmo que sutilmente, pois qualquer passo em falso pode ser fatal, é carregada de medo e revolta.
 Diversas situações da vida da princesa são relatadas e explicadas de acordo com as leis islâmicas e sauditas para a compreensão do leitor da ênfase do machismo extremo que impera ali. E ao final do livro a emoção é revolta, tristeza e compaixão. Assim como gratidão pela minha vida. É triste como um país rico como a Arábia Saudita seja tão errado nos aspectos sociais, já que a situação pouco evoluiu até hoje. Princesa é o tipo de livro que dói em você, se é que me entendem. Não é maravilhosamente escrito, mas o mais importante são as verdades que a autora retratou, que é o que faz dessa história uma leitura ótima e recompensadora. Quão longa e difícil é a jornada para justiça, igualdade e para o bem da humanidade.
 A vida de Sultana continua a ser contada nos livros As filhas da princesa e Princesa Sultana, da mesma autora.

Nota: 8,0

Ficha técnica:


Título: Princesa: A história real da vida das mulheres árabes por trás de seus negros véus

Autora: Jean P. Sasson

Editora: Best Seller - Grupo Editorial Record

Nº de págs.: 248

Ano: 1998


Tag - Confissões de um bibliófilo

Oi de novo!

Sabe, ultimamente tenho me preocupado muito com o blog porque eu amo escrever aqui e amo ser blogueira, porém não está sendo fácil administrar meu tempo e eu fico me sentindo péssima por isso. Ok, isso não faz parte da tag, mas já que estamos falando de confissões!
Enfim, resolvi fazer esse post hoje porque estava com saudades de responder a uma tag.

Vi a tag no canal do Allison: Allison7Potter, que aliás, é um dos canais literários que mais acompanho no Youtube, e adorei, afinal eu mesma sou uma bibliófila, ou seja, amo colecionar livros! Vamos então às perguntas!

Essa imagem é tão comum everywhere, mas peguei no We <3 It
1. Qual é o gênero de literatura que você se mantém longe?
Auto-ajuda, porque realmente não me interesso.

2. Qual é o livro que você tem na estante e tem vergonha de não ter lido?
Eu ia responder "nenhum", até lembrar os dois livros que estão lidos pela metade e me deixam com a sensação de culpa por estar lendo outras coisas sem terminá-los: As aventuras de Pinóquio e Contos Tradicionais do Brasil.

3. Qual é o seu pior hábito enquanto leitor(a)?
Hum... Essa é difícil. Como sou uma leitora que gosta de escrever uma resenha para cada obra lida, creio que meu pior hábito nesse aspecto é não resenhar logo depois de ler e acabar com um milhão de resenhas acumuladas, que é meu caso atual.

4. Você costuma ler a sinopse antes de ler o livro?
Sim. Para mim, ler a sinopse faz parte da leitura do livro, mesmo que eu esteja relendo tenho o costume de ler a contracapa e as orelhas do livro, até a minibiografia do autor. Eu sou do tipo de pessoa que lê até os agradecimentos, haha.

5. Qual é o livro mais caro da sua estante?
Na verdade, não sei (falando da minha parte da estante. Quando digo isso é porque aqui em casa também tem a parte da estante onde ficam os livros dos meus pais - que dão várias vezes minha coleção). Vou chutar a edição em inglês de As Crônicas de Nárnia volume único.


6. Você compra livros usados/em sebo?
Não, tenho alergia a livros antigos. Tenho uma coleção de livros que foram das minhas tias, e mais um ou outro. Se bem que os livros do meu pai e da minha mãe são considerados usados - e dentre eles tem uns meio antigos - e eu os leio.

7. Qual é a sua livraria (física) preferida?
Olha, dentre as quais eu costumo frequentar (Nobel, leitura e Saraiva), prefiro mesmo a Saraiva.

8. Qual é a sua livraria online preferida?
Outra vez Saraiva.

9. Você tem um orçamento (mensal) para comprar livros?
Não, a quantidade depende do mês, mas costumo me controlar, afinal, não sou eu quem compro. O que me leva a pensar que vou ter que fazer um esforço ainda maior quando eu ganhar meu próprio salário...

10. Quem você "tagueia"?
Eu tagueio você, bibliófilo que tiver gostado da tag e quiser responder. Caso queira compartilhar suas respostas sem escrever um post, deixe-as aqui nos comentário para nós compararmos!

E aí, gostaram da tag?

Beijos, Bia!

Filme: A Série Divergente - Insurgente

Olá!

Depois de um ano de espera, dia 19 de março foi lançado o segundo filme da franquia Divergente: Insurgente. Obviamente, como fã, minhas expectativas eram altas e... estou aqui justamente para falar sobre o que achei do filme!


Sinopse:
O enredo do filme gira em torno de uma caixa descoberta na casa de Andrew e Natalie Prior, pais de Tris, que está em poder de Jeanine Matthews, líder da Erudição e só pode ser aberta por um Divergente, razão pela qual os indivíduos com tal característica estão sendo perseguidos pela Erudição. É o caso dos protagonistas: Tris e Tobias (Quatro) que procuram abrigo de facção em facção, ao mesmo tempo em que ela tenta superar as mortes dos pais e do amigo, Will, que ocorreram no ataque à Abnegação; e ele decide se juntar aos sem-facção, liderados por sua mãe, Evelyn.



Opinião:
Em termos de fidelidade ao livro, acredito que Insurgente perdeu para o primeiro filme, o que é compreensível, já que Insurgente passa por diversos cenários e situações, enquanto Divergente tem o começo, meio e fim bem delineados (apresentação de Tris e a escolha da facção, iniciação da Audácia, simulação de ataque à Abnegação). Admito que fiquei decepcionada pela falta de algumas cenas que eu considerava essenciais e pela modificação de algumas outras, mas a maioria foi bem arranjada para a história seguir a cronologia do livro. Para mim, a obra original tem muito mais intensidade em cada cena.
Por outro lado, como filme em si, Insurgente superou o anterior nos aspectos ação e efeitos especiais. O drama fica mais evidente na cena em que Tobias e Tris ficam sob efeito do soro da verdade, na Franqueza, e é pincelado em algumas cenas individuais de Tris, mas as relações entre os personagens foram quase que completamente deixadas de lado. Marcus, que costuma ser o maior obstáculo do Quatro, desaparece logo no começo do filme. Entre Christina e Tris quase não há interação, e o mesmo pode ser dito de Uriah. A relação do casal Tris e Quatro não teve nem mesmo uma conturbação: eles concordaram entre si em todas as questões, fora outros personagens importantes que quase não foram mencionados. Na minha opinião, essa foi a maior falha do filme: o subaproveitamento das personagens. Mas quem sabe eles não usem isso para material em Convergente - Parte 1, já que é pra dividir o filme?
De qualquer forma, achei a atuação da Shailene Woodley (Tris) melhor nesse filme do que no primeiro, embora não possa chamar de brilhante. O Theo James, para mim, é perfeito como Quatro, não vejo mais ninguém nesse papel. Quanto ao Ansel Elgort (Caleb), só digo uma coisa: ri muito vendo ele correr, hahaha.
Não sei exatamente o que esperar de Convergente - Parte 1, além de que seja melhor. Eu não sou muito fã dessa divisão de último filme, porém gostei de A Esperança - Parte 1, então... vamos ver no que vai dar.

Portanto, como adaptação, minha nota para Insurgente é 6,5 e como filme sem comparação com o livro, 8,5. Eu gostei bastante, apesar do que eu mencionei. Com certeza, logo, logo vou assistir de novo! Eu e minhas amigas fomos vestidas de acordo com sua facção, e eu fui de Amizade, apesar de meus testes darem Abnegação, Erudição ou Audácia. E no fim, terminei com dois pôsteres e um colar da Amizade! De facção vocês são?

Diretor: Robert Schwentke
Atores: Shailene Woodley (Tris), Theo James (Quatro), Octavia Spencer (Johanna), Miles Teller (Peter), Kate Winslet (Jeanine)
Lançamento: 19 de março de 2015
Trailer:


Já assistiram ao filme? O que acharam? Conte-me: qual foi sua cena preferida! Uma das minhas preferidas foi a do soro da verdade.


Holes in the Sky - M83 ft. HAIM [Da trilha sonora de Insurgente]

Pôster ilustrado para IMAX
Faltam apenas 13 dias para a estréia de Insurgente nos cinemas aqui no Brasil (antes dos EUA, hahaha), para qual estou MUITO ansiosa, afinal a trilogia Divergente é uma de minhas preferidas, e a trilha sonora começa a ser divulgada.

Uma das músicas é Holes in the Sky, que é como se fossem os pensamentos e sentimentos da Tris em Insurgente. É muito bonita e com certeza combina com as emoções da protagonista, tanto que sinto como se voltasse à história (embora eu realmente tenha voltado, já que estou relendo).
Confiram:


Letra e tradução: Vagalume

Trailer do filme:



Insurgente parece ser uma produção bem maior que o primeiro filme, e ainda assim espero que tenham continuado fiéis ao livro. Bem, falta pouco tempo para ter certeza!

A trilha sonora do filme conta também com Warriors, da banda Imagine Dragons. A trilha sonora oficial atualizada pode ser encontrada no Divergente Brasil.

Tem algum fã da série aí? Quem vai na estréia? Me contem depois!

Laranja Mecânica - Anthony Burgess

A questão é se uma técnica dessas pode realmente fazer um homem bom. A bondade vem de dentro. A bondade é algo que se escolhe. Quando um homem não pode escolher, ele deixa de ser um homem. - Laranja Mecânica, A. Burgess

Edição especial da editora Aleph
Sinopse:
 Publicado pela primeira vez em 1962, e imortalizado 9 anos depois pelo filme de Stanley Kubrick, Laranja Mecânica não só está entre os clássicos eternos da ficção como representa um marco na cultura pop do século 20. Meio século depois, a perturbadora história de Alex – membro de uma gangue de adolescentes que é capturado pelo Estado e submetido a uma terapia de condicionamento social – continua fascinando, e desconcertando, leitores mundo afora.
Skoob

Opinião:
Laranja Mecânica é a história de um anti-herói adolescente, Alex, que costumava sair durante a noite com sua gangue para praticar atos criminosos de violência com quem quer que seja, por prazer e diversão. A primeira parte do livro descreve essas noites e cada crueldade cometida nelas.
Porém, em um assalto "mal sucedido" o protagonista é capturado pela polícia e - depois de um período na prisão arquitetando um modo de escapar - submetido a uma espécie de tratamento, o Ludovico, com o objetivo de curá-lo dos impulsos maldosos. O procedimento consiste na injeção de alguma substância responsável por causar náuseas e mal estar, seguida da visualização de cenas de violência, que faz com que o cérebro do indivíduo associe uma coisa à outra, de forma que ele deixa de praticar tais atos. Não por escolha ou mudança de mentalidade, e sim por pura sensação de enjoo. Isso é narrado na segunda parte.
Por fim, na terceira parte, Alex é libertado e reinserido no mundo, mas seu sofrimento ainda não terminou. Ele, agora completamente indefeso, é maltratado por antigos inimigos que procuram vingança.

A obra é incrível principalmente pelo vocabulário diferenciado. Alex e sua gangue se comunicam pelo nadsat, suas gírias especiais, misturado a um vocabulário formal. Por exemplo, ele se dirige - a narração é em primeira pessoa - aos leitores com a expressão "Vosso humilde narrador". A edição de 50 anos da editora Aleph possui um glossário do nadsat, o qual você desiste de consultar após algumas páginas, porque você acaba se familiarizando e entendendo o contexto. Esse estranhamento, afinal, foi uma estratégia de A. Burgess para envolver o leitor.

Minhas impressões sobre a história foram as que eu previra: chocante e angustiante. Senti raiva durante todo o livro, raiva do Alex, de sua gangue, do governo, da polícia, etc., etc.. Mas valeu a pena, com certeza, principalmente pela construção da escrita do autor, que mencionei anteriormente. A edição de 50 anos da editora Aleph é maravilhosa, de capa dura com jacket (sobrecapa), ilustrada, ótima fonte, extras como textos do autor, algumas páginas do original, glossário, etc..
Enfim, esse é um daqueles livros - pelo que vi nas resenhas do Skoob - que divide opiniões, e eu fico num meio termo. Não amei, gostei da criatividade, do vocabulário, da crítica, mas a história em si não me impressionou.

Nota: 7,5

Ficha técnica:

Título: Laranja Mecânica

Título original: A clockwork orange

Autor: Anthony Burgess

Editora: Aleph
 
Nº de págs. (da edição normal): 224

Adaptação cinematográfica: Laranja Mecânica (1972), dirigido por Stanley Kubrick, com Malcolm McDowell (Alex).



Vocês já leram? Quais suas opiniões?

O que eu li em fevereiro

We <3 It
Olááá!

Só para constar, março chegou e não escrevi nenhuma resenha mês passado. Eu tentei, mas não consegui terminar. Onde clica para organizar a vida de estudante com a de blogueira?
Para fazer um resumão das minhas leituras do último mês, escrevi sobre elas na coluna para o E aí, já leu?.


Laranja Mecânica, o clássico de Anthony Burgess, veio para abrir o apetite para todo um mês de leituras, e acabou sendo também o prato principal. De doce ou apetitoso, ele não tem nada, mas é rico em vitaminas, digo, criatividade. Chega de metáforas! “Afinal, Bia, sobre o que se trata o livro?” É o seguinte: Alex é um adolescente que sai durante a noite, com seus amigos, para basicamente maltratar inocentes por puro prazer. Ele acaba sendo capturado pela polícia e submetido a um “tratamento” que supostamente tiraria dele seus impulsos maldosos, mas acaba tirando também seu poder de escolha. Essa “distopia atual” é genial, ao mesmo tempo em que é uma leitura angustiante do começo ao fim, com as descrições de cada ato de crueldade cometido por Alex e sua gangue. É toda uma crítica aos atos de violência que acontecem sem punição, e questiona a intervenção do governo na liberdade de escolha dos indivíduos. O mais legal no livro é o vocabulário próprio utilizado por Alex e companhia – o nadsat, equivalente às gírias atuais, só que mais diversificado – que se mistura a uma linguagem formal. No começo você fica meio boiando, mas depois de um tempo desiste de consultar o glossário e descobre que está se familiarizando. Já aviso a quem se interessou que a maioria das cenas são bem fortes.
Nota no Skoob: 3/5


Depois de um livro desses, eu queria mesmo uma leitura mais leve, Minuto de Silêncio. É um romance curtinho de Siegfried Lenz, um dos autores alemães mais importantes da atualidade. O enredo é um flashback da história de amor entre Christian e sua professora de inglês, Stella, interrompida com a morte da moça, já contada na primeira página (calma, eu não daria spoiler sem avisar). O cenário – uma cidade pesqueira no Mar Báltico – então se alterna entre passado e presente, e chega até a ser melancólico, embora permeado de delicadeza e beleza. Daria nota máxima se eu fosse mais fã desse gênero literário.
Nota no Skoob: 3/5

Bruna Vieira
Já que comecei a coluna com a metáfora de uma “refeição” literária, passemos para a sobremesa: os doces contos e romances de uma das blogueiras brasileiras mais influentes atualmente, Bruna Vieira, do Depois dos Quinze. Eu já costumava ler os textos dela no blog, mas então me foram emprestados três livros de sua autoria. Sua primeira publicação é um livro de crônicas: Depois dos Quinze: quando tudo começou a mudar. Sinceramente, eu esperava mais de uma blogueira tão popular, e entre páginas tão bonitas encontrei crônicas simples, açucarados demais para o meu gosto (particularmente falando). Por isso, minha classificação para ele no Skoob foi de 2/5.



O próximo romance foi De volta aos sonhos, segundo volume da série de Bruna Meu primeiro blog. Embora eu não tenha lido o primeiro, a compreensão da história é fácil e a leitura fluída. A protagonista, Anita, tem o poder de viajar no tempo por meio de seu blog, embora seja um ato involuntário. Nessas idas e vindas ela precisa tomar cuidado para não fazer nenhuma grande alteração no futuro e para aproveitar a oportunidade de fazer as escolhas certas. Achei criativo e bem legal como as situações pelas quais Anita passa são baseadas na realidade, além do tema de dar prioridade a seus sonhos. Ainda assim, não conseguiu me surpreender ou me conquistar por completo.
Nota no Skoob: 3/5


Fechei o mês com a última publicação da Bruna: A menina que colecionava borboletas, outro livro de crônicas, mais maduras, porém, do que no primeiro, o que foi uma ótima notícia nesse caso (nem sempre maturidade é sinônimo de qualidade literária). Dessa vez, o foco é a autora em busca da realização de seus sonhos e o processo de escolhas para realizá-los, dentro dos quais está a vida morando sozinha em São Paulo. Sim, ainda estão em pauta seus amores, só que de uma perspectiva um pouco diferenciada. Identifiquei-me com o prazer e necessidade da autora na escrita. Aliás, ela escreve bem. As artes de todos os livros são lindas, especialmente do último livro.
Nota no Skoob: 3/5

E é assim, satisfeita, que terminei o jantar, quero dizer, esse fevereiro. E vocês, o que leram nesse período? Quais são suas opiniões sobre os livros que comentei? E os planos literários para março? Admito, eu tenho várias obras esperando na estante!

Sonho, refúgio e liberdade

Créditos na imagem.
Preciso escrever.

 Apaguei diversas tentativas de começar esse texto. Nenhuma chegara a ter mais de sete palavras, até agora. Então parece que temos um começo. As duas palavras que os introduziram são, na verdade, um forte sentimento tentando ser verbalizado. Estava escrevendo uma resenha, mas o escrever que preciso agora me levou a fechá-la. Peguei meus fones de ouvido. Troquei de sala para ficar sozinha com as palavras. Fechei as redes sociais, deixei além do blogger só o Youtube aberto, tocando Oceans, pianos e violoncelos, pois preciso também de música, e não do tipo que ouço todo dia e toda hora. Esse texto também é especial. Entre tantas formas de arte, a música e a literatura são as que compõem minha vida.
 Em algum momento dos últimos dezesseis anos, manifestou-se em mim essa inclinação, essa convicção, uma vontade, uma necessidade, uma luz intensa demais para ser guardada: preciso escrever. Sim, manisfestou-se, pois nada tão forte teria simplesmente nascido em mim, do nada. Fui influenciada, incentivada por ter sido criada em meio aos livros, minhas amadas histórias. Foi o que Deus reservou para mim dentre suas graças. 
 Enfim, essa paixão cresce. Loucamente. E hoje, hoje eu queria escrever algo assim - sincero, verdadeiro, desinteressado, que não fosse corrigido, que não valesse nota, que não tivesse tempo para entregar. Agora não me importo com a gramática. Nada de dissertação, de argumentação. Que seja o que vier à minha mente.
 Meu coração se abre. Escrevo. Tenho mil ideias, elas vieram em uma onda inesperada de inspiração. Ideias são como os feijões que a gente plantava no algodão quando tava no prézinho, twittei agora à pouco. Dispensa explicações. Essa é a graça da arte: onde todos enxergam um feijão, o artista vê uma metáfora.
 É uma atividade solitária, escrever. Ultimamente, tenho conhecido outras garotas que escrevem e com quem posso me identificar. Ter amigas que entendem isso como um prazer, como eu, dá uma motivação a mais, faz eu me sentir um pouco mais a vontade, embora eu tenha feito isso por anos. 
 Tenho poucas certezas sobre as escolhas que terei de fazer nos próximos anos, mas estou certa de algo: quero escrever a vida toda, não importa o que mais eu faça. Sim, é claro que terá mais, pois preciso viver e aprender muito além do que posso visualizar agora. 
 Quero escrever com a mesma esperança e sinceridade com que Anne Frank escreveu seu diário, com a perspicácia e inteligência de Jane Austen, com o amor com que meus autores preferidos, os clássicos, os recentes, as blogueiras que acompanho, escreveram, escrevem e procuram melhorar. 
 Mais do que tudo, quero viver uma história incrível, que mereça ser contada, que seja uma inspiração para as pessoas assim como as histórias dos meus melhores exemplos - começando por meus pais, pois estou sempre vendo exemplos em muita gente. Na verdade, acho que todos que conhecemos uma hora ou outra durante nossa vida podem nos ensinar alguma coisa, porém precisamos estar atentos à eles. Por isso precisamos de sensibilidade, e com isso quero dizer não ser indiferente às outras pessoas. Sensibilidade é observar, sentir e pensar, refletir e criticar. Ser sensível é admirar e valorizar as pequenas coisas.
 Foi difícil escolher como começar, mas sei como terminar. Com a sensação de saber que encaixei minhas frases soltas em um texto que expressa algo muito simples, que não posso correr o risco de esquecer: escrever é sonho, refúgio e liberdade. 
 Don't only practise your art. But force your way into its Secrets. For it and knowledge can raise men to the Divine. - Ludwig van Beethoven.

 (Não apenas pratique sua arte. Mas force seu caminho entre seus Segredos. Por isso e conhecimento os homens podem elevar-se ao Divino.)

Parceria Editoras Biruta e Gaivota 2015!

É com muita alegria que comunico a vocês, leitores, que o Minhas Leituras renovou a parceria com as Editoras Biruta e Gaivota para 2015!
A parceria já se revelou muito produtiva ano passado, já que todos os quatro livros que resenhei foram bons. Espero ler e resenhar bastante também esse ano, e quem sabe eu esteja preparando uma surpresa pra vocês... Ano passado foi difícil de realizar, mas agora pretendo planejar direitinho.


Bem, eu amo tanto a Biruta quanto a Gaivota e espero que vocês também tirem o máximo de proveito dessa parceria, e sinceramente recomendo que conheçam as editoras (afinal, quem não é um pouquinho biruta ou nunca desejou voar como uma gaivota? Ainda bem que podemos ser tudo isso nas páginas dos livros!):
Editora Biruta
Editora Gaivota
Blog Biruta Gaivota

Se você também se inscreveu para parceria com essas editoras, acesse o link e confira se seu blog foi selecionado!
Parceria 2015

Então é isso aí! Parece que começamos bem o ano ;)

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